Você sabe por que o Peter Pan nunca cresce? Porque ele esquece das coisas. Assim, todo dia é como se fosse o primeiro, infinitamente grande, emocionante e novo, como são os da crianças. É mais ou menos assim que estou vivendo os meus dias agora; esquecendo os dias que passaram e partindo com toda a minha alma para o que acaba de começar. E assim, quem sabe, eu também nunca vá crescer.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Blackbird
Você sabe por que o Peter Pan nunca cresce? Porque ele esquece das coisas. Assim, todo dia é como se fosse o primeiro, infinitamente grande, emocionante e novo, como são os da crianças. É mais ou menos assim que estou vivendo os meus dias agora; esquecendo os dias que passaram e partindo com toda a minha alma para o que acaba de começar. E assim, quem sabe, eu também nunca vá crescer.
Take these broken wings and learn to fly
segunda-feira, outubro 19, 2009
Na noite fria, um cão uivava ao longe. Sentado na varanda, um garoto observava sem interesse os vaga lumes que dançavam sobre os velhos pneus cheios d'água. Já deviam ser por volta das duas da madrugada e ainda não recebera nenhum sinal. Pois sim, deveria haver um sinal. A velha cigana que encontrara na noite anterior havia lhe garantido, e ele esperaria a noite toda se fosse necessário. Ainda podia escutar sua voz arranhada, como um sussurro em sua cabeça. "A lua amarela no ultimo dia ímpar do ano. Não durma e não coma nada. Não deixe que o percebam. Fique atento e você verá.”
O tempo parecia caçoar dele. Há quantas horas estaria ali? Seus olhos já começavam a pesar e sua barriga rugia. Já não tinha mais idéias de musicas para cantarolar. Começara a pensar que aquilo era loucura quando a primeira luz do poste se apagou.
Não chegou a dar-lhe importância ao principio. Que a iluminação de sua rua era uma droga não era bem novidade, as luzes viviam a dar defeito. O que lhe chamou a atenção foram os vaga lumes. Desapareceram. Então, todas as luzes se apagaram e veio o silencio.
Foi então que ela apareceu. Em meio a névoa e a escuridão, lá estava. No começo não era mais do que um monte de fumaça sem forma, até que pode-se perceber cabelos e nariz, tronco e mãos. Os olhos não passavam de uma sombra, com a visão fora de foco, constantemente olhando para o nada. Um lamento soprava por sua boca.
Flutuava de um lado para o outro como se procurasse algo. O menino a observava com o coração disparado e olhos vidrados, mas não ousava se mexer. Mal se atrevia a respirar. Em seu peito, uma mistura de assombro e excitação lhe davam vontade de vomitar.
Não soube dizer se era bonita ou não. Talvez fosse, sem todo aquele ar fantasmagórico ao seu redor. Cachos lhe escorriam pelos ombros e um vestido sem estampas lhe cobria o corpo. Sua expressão era de obvia tristeza.
Talvez seus pensamentos estivessem muito altos, ou quem sabe respirava forte demais, mas enfim notara sua presença. Pareceu confusa e assustada por um momento, mas logo voltou a si e deu-lhe um grito de fúria intensa, como se a tivessem escaldado naquele momento. O grito penetrou em seus ouvidos como lâminas cortantes, retalhando tudo até o fundo da sua alma. A sensação era como se estivessem pisando em seu peito, transformando-lhe em pó. Então veio o frio e tudo ficou escuro.
Em algum lugar pela noite, um cão uivava ao longe.
O tempo parecia caçoar dele. Há quantas horas estaria ali? Seus olhos já começavam a pesar e sua barriga rugia. Já não tinha mais idéias de musicas para cantarolar. Começara a pensar que aquilo era loucura quando a primeira luz do poste se apagou.
Não chegou a dar-lhe importância ao principio. Que a iluminação de sua rua era uma droga não era bem novidade, as luzes viviam a dar defeito. O que lhe chamou a atenção foram os vaga lumes. Desapareceram. Então, todas as luzes se apagaram e veio o silencio.
Foi então que ela apareceu. Em meio a névoa e a escuridão, lá estava. No começo não era mais do que um monte de fumaça sem forma, até que pode-se perceber cabelos e nariz, tronco e mãos. Os olhos não passavam de uma sombra, com a visão fora de foco, constantemente olhando para o nada. Um lamento soprava por sua boca.
Flutuava de um lado para o outro como se procurasse algo. O menino a observava com o coração disparado e olhos vidrados, mas não ousava se mexer. Mal se atrevia a respirar. Em seu peito, uma mistura de assombro e excitação lhe davam vontade de vomitar.
Não soube dizer se era bonita ou não. Talvez fosse, sem todo aquele ar fantasmagórico ao seu redor. Cachos lhe escorriam pelos ombros e um vestido sem estampas lhe cobria o corpo. Sua expressão era de obvia tristeza.
Talvez seus pensamentos estivessem muito altos, ou quem sabe respirava forte demais, mas enfim notara sua presença. Pareceu confusa e assustada por um momento, mas logo voltou a si e deu-lhe um grito de fúria intensa, como se a tivessem escaldado naquele momento. O grito penetrou em seus ouvidos como lâminas cortantes, retalhando tudo até o fundo da sua alma. A sensação era como se estivessem pisando em seu peito, transformando-lhe em pó. Então veio o frio e tudo ficou escuro.
Em algum lugar pela noite, um cão uivava ao longe.
domingo, outubro 18, 2009
Me perguntam com freqüência o por que de ser vegetariana. Eu penso sobre isso e lembro de um dia, quando estava voltando do trabalho com minha mãe, quando passamos pelo matadouro da prefeitura. Eu ouvi o lamento de desespero, vi o sangue e senti o cheiro da morte. Aquilo me deu ânsias. Eu já simpatizava com o movimento vegetariano há anos, mas fui mais uma daquelas "deixa para amanhã, hoje tem bisteca no jantar."
Nunca mais comi carne depois daquele dia. Quando cheguei em casa, olhei para os meus animais e os abracei. Conheço teorias sobre como carne não faz bem, questões ecológicas, caninos não desenvolvidos e outras coisas, mas a verdade e que nada disso me importa.
Eu amo os animais. Amo mesmo, de verdade. Eu brigo e choro por eles como nunca brigaria ou choraria pela maioria das pessoas que conheço. É o amor que me faz ser vegetariana, nada mais.
"Se você fala com os animais eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. Se não falar com eles você não os conhecerá, e o que você não conhece você temerá. E aquilo que tememos, destruímos."
Nunca mais comi carne depois daquele dia. Quando cheguei em casa, olhei para os meus animais e os abracei. Conheço teorias sobre como carne não faz bem, questões ecológicas, caninos não desenvolvidos e outras coisas, mas a verdade e que nada disso me importa.
Eu amo os animais. Amo mesmo, de verdade. Eu brigo e choro por eles como nunca brigaria ou choraria pela maioria das pessoas que conheço. É o amor que me faz ser vegetariana, nada mais.
"Se você fala com os animais eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. Se não falar com eles você não os conhecerá, e o que você não conhece você temerá. E aquilo que tememos, destruímos."
sábado, outubro 17, 2009

Para minha vista, somente o Nada. Caminhei por entre aquela escuridão, com as mãos erguidas e passos cautelosos. Em meio ao desespero, pensei que gostava do som ritmado dos meus sapatos no concreto. Um dia ou um minuto depois, resolvi fechar os olhos. Não houve diferença alguma.
Já cansada daquele macabro passeio sem fim, resolvi descansar. O silêncio que se fez causou me arrepios na nuca. Olhei em frente, sem saber ao certo se estava indo ou voltando. Aquilo parecia não ter fim. Onde estava minha esperada luz no fim do túnel?
Tentei lembrar me como havia chegado àquele ponto. Vasculhei minha mente, mas estava tão oca quanto meu coração. Não tinha recordação alguma de onde vinha, ou quem eu era. Nenhum nome ou rosto. Vazio.
Com um suspiro, voltei a minha jornada. Em uma certa hora, já não sabia mais se estava sonhando ou acordada. O desespero começou atingir me e senti me sufocada. As paredes, se é que haviam paredes, pareceram resolver encolher. Caí de joelhos e desatei a chorar. Não tinha mais forças.
Então a vi; Era radiante. Deu um doce sorriso e fez sinal para que a acompanhasse. Não hesitei. Mesmo incapaz de recordar minha vida, estava certa de que jamais fora tão feliz como naquele instante. Corri descontroladamente, tropeçando em meus próprios pés. E então uma Luz calorosa envolveu me e esse foi o Fim. Eu estava morta. E era maravilhoso.
Um
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