quarta-feira, novembro 25, 2009

Can you see the magic in the air?

Can you see the magic in the air? Eu quase posso tocar.

Acordei não acordando, como sempre. Confundi direitas com esquerdas e freios com aceleradores. Escutei canções de amor enquanto arrumava o quarto e cantei Doce Vampiro no chuveiro. Contei os segundos até você chegar, como naquela música "mas o relógio tá de mal comigo".
Então você chegou, com suas calças meio coladas e sapatos novos. É incrível como perco o ar cada vez que te vejo. Tipo um quentefrio e um pulinho sabe? Eu ganho o dia com o seu sorriso, e por isso me esforço para te fazer sorrir o tempo todo. Às vezes você não parece fazer idéia do efeito que causa em mim (o que é realmente uma gracinha).
Andamos apressados por um caminho que me pareceu ridiculamente menor do que o normal. Sabia que coisas banais ganham uma cor totalmente nova com você por perto? O ar, as pessoas, o cheiro e o sabor das coisas, tudo me parece tão melhor. Como se eu tivesse passado a vida inteira com os olhos fechados, e só agora estivesse enxergando de verdade.
Ter você na minha casa, nas minhas coisas do dia-a-dia, ainda me parece irreal, como um sonho. Está difícil admitir que esteja acordada. Eu acho que meu consciente simplesmente não consegue aceitar que, aquele garoto que eu olhava de longe, meio tímida, e que por loucura do destino resolveu responder as minhas investidas sem graça, é agora a melhor parte da minha vida, de mim.
Você comentou hoje que nós somos a cara do casal que se casa com um ano de namoro. O engraçado é que eu realmente me sinto como se pudesse fugir com você agora, casar e ser feliz para todo sempre, como em um conto de fadas. Por sorte somos espertos demais para isso, hein? (eu disse sorte?) Por outro lado, ficar, namorar, casar e outras coisas mais, não passam de palavras. Eu acho que você sabe o que eu quero dizer.

Estar com você é um pouco como voar.


sexta-feira, novembro 20, 2009

Essa é a vigesima sétima vez que tento escrever algo suficientemente bom para você. Peço desculpas por não criar nada melhor elaborado, mas estou sendo vencida pelo cansaço e pela saudade excrucitante que sinto agora, e que não me deixa pensar em nada mais.
Eu estava escutando musicas melosas e claro, meio bregas, enquanto visualizava seu rosto em minha cabeça, o que me deixou bastante inspirada. Imaginei então que seria uma boa idéia tentar escrever algo que expressasse todo esse sentimento que vive dentro de mim agora, que me corroe por dentro e me faz querer chorar como um coelhinho. Pensei então que poderia falar dos seus olhos e olhar, e do jeito que eles parecem atravessar a minha alma. Ou quem sabe falaria do seu cheiro, e de como é frustrante quando imagino senti-lo pelas ruas, e procuro desesperadamente por você ao meu redor. Poderia também falar dos seus ombros, mãos, barriga, pernas e unhas dos pés, e de todas as outras partes que formam o seu corpo, que é o mais belo do mundo. Talvez falaria ainda da sua voz de canário, e de como toda a minha estrutura ameaça desabar quando sussura em meu ouvido. Ou quem sabe diria como meu coração dispara quando te escuto falar sobre seus sonhos e desejos, ou quando vejo o amor que você sente pelas pessoas e animais que são próximos a você. Ah, e ressaltaria ainda com mais capricho minha parte favorita entre todas, que é seu sorriso envergonhado quando tento te fazer rir.
Infelizmente, acho que talvez por serem maravilhas demais, todas essas coisas se misturam de tal forma que chega a ser impossível formar um texto decente sobre elas. Por isso, não tive outra escolha a não ser escrever de um jeito aleatório e insuficiente, com a falsa esperança de que isso mostre para você ao menos um terço de como me sinto agora.

Ainda bem que inventaram o bom e velho Eu te amo.



Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Nada como estar apaixonada e brega

terça-feira, novembro 10, 2009

Eu gostaria de acreditar em Deus. Em salvação. Em luz. Justiça. Gostaria de acreditar em amor eterno, música e comédias românticas. Gostaria de agir sempre como bêbada, distribuir sorrisos sinceros e promover sonhos tranquilos. Gostaria de acreditar nas pessoas.
Alguém conhece um jeito de se ficar mais idiota?
Vomitava e vomitava de madrugada, abandonado no meio do deserto como um anjo que Deus largou em plena penitência - e só sabia perguntar por que, por que, por que, meu Deus, me abandonaste? Nunca ouvi a resposta.

Meu mundo desmorona incrivelmente fácil.


 
Por muito tempo minha vida foi resumida a expressões, e eu tenho lutado contra isso. Gostaria de ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto, me casar, ter filhos, viajar, emagrecer, saber mais das coisas, tocar um instrumento musical, não estar tão quebrada de grana, poder dar (bons) presentes de natal para todo mundo que eu ache que mereça, comer mais salada, escrever melhor, controlar minha impulsividade e meu dom absurdo de dizer besteira, curar definitivamente minha mania de auto-sabotagem... enfim, a lista é grande.

Cheguei a achar, até pouco tempo atrás, que me entregar, amar alguém de verdade não me levaria a lugar algum, não iria me fazer mais querida, não faria ter alguém que me amasse. Faria sim, quem se apaixonasse, mas ninguém iria amar alguém com defeitos grotescos como os meus. Não que eu quisesse alguém que concordasse com minhas fraquezas, mas que me amasse mesmo assim. Que estivesse ao meu lado, não para me apoiar, mas para não me deixar cair mais ainda.




"Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais

Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar...

Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai...
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar"

segunda-feira, novembro 09, 2009

Será que existe alguém ou algum motivo importante,
que justifique a vida ou pelo menos esse instante?

sexta-feira, novembro 06, 2009




Ainda não era meia noite e já estava insuportável. A música ruim, a bebida pior ainda e as pessoas, nem se fala. É claro que havia o mar, o único atrativo em festas como essa, mas não era o suficiente para me fazer ficar por mais de 25 segundos.
Já estava atrás dos meus sapatos e dignidade quando me deparei com ele. Não sei como não tinha-o notado a noite inteira. Definitivamente não se encaixava ali. Cabelos compridos demais, roupas escuras demais e aquela conhecida expressão de "acho todos idiotas". Igual a minha. Estava sozinho, provavelmente esperando alguém voltar com algum papinho de bêbado que começou a beber antes da festa, fitando o mar. Ocorreu-me que nossos pensamentos eram iguais e me aproximei. Tinha uma expressão impressionante. Cheguei sem bebidas e sem assuntos, só com aquele sorriso amarelo de quem não sabe o que dizer. Pareceu assustado com minha investida, mas me retribuiu com um sorriso igual. Deve ser o amor da minha vida, pensei. Nem lembro sobre o que conversamos, não que tenha importância. A festa era uma merda, as pessoas uma bosta maior ainda e a bebida não vou nem comentar. Mas o mar estava ali, de consolo, refletindo todo aquele inferno. E tinha você.

quarta-feira, novembro 04, 2009


Olha, eu sei o que eu sempre quis. Eu queria um amor que fosse tudo para mim e eu tudo para ele. Que me olhasse e entendesse o que eu sentia, quando estava triste ou feliz. Não precisaria ser lindo, rico, inteligente ou palhaço. Só precisava ser meu.
Eu entendo o desejo de posse. Querer algo só para você, guardar em uma caixa bonita e não deixar ninguém pegar. Eu também sou assim. É um sentimento egoísta, mas ao mesmo tempo é bonito, como poucos conseguem entender.
Para mim, o amor perfeito é aquele com quem eu possa conversar sobre qualquer coisa, desde filmes de sexo ao sentido da vida. Aquele que a gente possa ir até mesmo a uma exposição de talheres importados e se divertir como nunca. Que não ria ou me repreenda quando eu falar dos meus sentimentos e sonhos, que possa cantar comigo sem sentir vergonha. E que que esteja sempre aqui pra mim, pois eu vou sempre estar aqui pra ele também.
O que eu queria agora, era a inocência de um amor de verdade. O sorriso, a confiança. A cumplicidade. Era ter alguém que me quisesse por perto em uma roda de amigos, que soubesse me abraçar sem desejar nada a mais. Que me apoiasse, cuidasse de mim, como eu faria por ele. Alguém com que eu poderia passar horas jogando vídeo game sem cansar, ou explorar uma cidadezinha qualquer. Nada de tédio ou preguiça.
Só amor.

terça-feira, novembro 03, 2009

"Ela é meio bonita.

Você sabe de quem estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes. Ela é tímida, mas não a tímida “meiguinha”. Ela é arisca e bicho-do-mato mesmo, daquelas que gosta de fazer cu doce e fica com a voz 60% mais baixa quando sente-se intimidada.

Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Castanho furta-cor. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.

O silêncio dela às vezes é irritante. Ela é imatura e finge que tem amnésia. Se faz de vítima, drama-queen de carteirinha. 80% dos desenhos dela são cópias ou releituras.

Em casos leves, você pensaria “ela é quase bonita”. Depois de um baseado você diria “ela tem um tipo bastante especial”. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, apressada demais.

Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Quando você partiu ela acordou todos aqueles dias, sentiu-se a garota mais sozinha do mundo, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar seu corpo.

As meninas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe desconfortável, contente, ou triste, ou puto da cara. Alguém que te dê trabalho.

Poderia ser essa menina, se ela não tão fissurada em suas próprias leituras.
Se ela deixasse de odiar as pessoas e achar que de fato é um dragão.
Se ela não fosse sensível demais e se emocionasse até com inauguração de supermercado.
Se ela fosse mais descolada.
Se ela fosse mais confiante.
E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, também, meio bonito.
Meio anacrônico. Meio antiquado. Meia estação."

Caio F, alterado.