Venho sentido o desejo de escrever o dia inteiro, mas me contive até esse momento, quando estaria sozinha em outra cidade. Sozinha, entediada e, acima de tudo, sentindo sua falta.
Estou agora na sala da Casa da Praia, escutando a conversa embriagada dos adultos lá fora. Sim, adultos. Sempre serão adultos para mim. Um pouco pelos seus assuntos mundanos como dinheiro e pertences, um pouco pelo seu eterno modo conformado de viver a vida. Trabalhar. Comer. Dormir. Existir. Eu nunca serei assim.
O dia passou como um passar de páginas de um livro pouco interessante quando você foi embora. Lentamente organizei e limpei objetos visíveis na casa, observei minhas coisas e li um pouco. Ler sempre me causa um prazer e uma paz que mal posso expressar. É quase como o prazer de sonhar, acordada ou não. Uma válvula de escape.
É difícil escrever com o barulho das conversas se misturando ao som dos meus dedos sob o teclado, que não me permitem escutar meus próprios pensamentos. Por outro lado, li Entrevista com Vampiro no meio deles facilmente, como se estivessem à milhas de distancia. Sente a sutil diferença?
Arrumei minha bagagem com pouco interesse, sem saber ao certo o que levar. Pensei no que precisaria para passar duas noites tão longe de casa, e a primeira coisa que me veio à cabeça foi você. Pensei então no anel que me deu, no computador e no meu colar de fada. O anel para olhar antes de dormir, e imaginar que você está aqui comigo. O computador para ler e escrever, já que não tenho livros novos e minha agenda está reservada para o ano que virá. E meu colar de fada para lembrar da mágica que existe, em mim e em tudo ao meu redor. Para que sinta algo especial.
É tudo que preciso.
A viagem de quase duas horas me pareceu pouco mais do que dez minutos. Despedi-me dos meus cães e gato antes de sair e bati tristemente o portão. Senti uma forte dor na coluna assim que pisei na calçada. Aninhei-me entre os travesseiros no banco de trás e comecei a pensar em Deus. Pensei em como bonita é a história de Jesus, como um menino que nasceu de uma mulher pura, como uma estrela, que tinha a única missão na vida de salvar a humanidade, com paz e amor. É bonito, de fato, como imagino em minha cabeça. É uma pena não saber desenhar. Se soubesse, criaria traços de um bebê que sorria como o sol, e meu modelo de inspiração seria você. Ele viajaria pelo céu e sorriria para todos, daquele jeito radiante.
Não consigo imaginar o menino crescer.
Acabei adormecendo imaginando esse bebe de sol, e acordei com os solavancos do carro pela estrada maltratada. A lua estava distorcida pelo velho adesivo fume no vidro, mas iluminava tudo ao seu redor.
Chegamos mais rápido do que eu gostaria, e fui levantando lentamente, com pouca disposição. Lembro que sonhei com o mar, e nada mais. Senti um gosto amargo na minha boca, que me lembrou você. “O gosto do sono pela manhã". Sorri. Meu pai desceu do carro para abrir o portão de madeira, e minha mãe suspirou aliviada por ter chegado. Aparentemente, a viagem tinha sigo longa e cansativa.
Antes de descermos, ela se virou e me mandou ficar feliz. Isso me desanimou na mesma hora. Não se pode mandar alguém ficar feliz. Eu não estava ali por vontade própria, e só pensava em entrar logo na casa, ligar o computador e ler estirada no sofá. Não que eu não goste daqui, é realmente bonito. O céu é estrelado como em um filme e se pode ver a lua perfeitamente da varanda. Do lado da casa tem um enorme lago, refletindo a escuridão da noite. O fato é que eu não gosto muito de ter que falar com pessoas, principalmente sobre assuntos forçados como trabalho ou estudos. Não gosto que se sintam obrigadas a falar comigo também, por pura falsa simpatia. Gosto sim, de ficar quieta em um canto, sentindo o prazer da solidão do silencio, sem ninguém para me incomodar.
As risadas estão ficando mais altas, resultado de uma rodada de bebida barata. Na minha frente, em cima de uma mesa pouco organizada, há santos envoltos em plástico. Jesus parece entediado.
Gostaria que estivesse aqui.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
quarta-feira, novembro 25, 2009
Can you see the magic in the air?
Can you see the magic in the air? Eu quase posso tocar.
Acordei não acordando, como sempre. Confundi direitas com esquerdas e freios com aceleradores. Escutei canções de amor enquanto arrumava o quarto e cantei Doce Vampiro no chuveiro. Contei os segundos até você chegar, como naquela música "mas o relógio tá de mal comigo".
Então você chegou, com suas calças meio coladas e sapatos novos. É incrível como perco o ar cada vez que te vejo. Tipo um quentefrio e um pulinho sabe? Eu ganho o dia com o seu sorriso, e por isso me esforço para te fazer sorrir o tempo todo. Às vezes você não parece fazer idéia do efeito que causa em mim (o que é realmente uma gracinha).
Andamos apressados por um caminho que me pareceu ridiculamente menor do que o normal. Sabia que coisas banais ganham uma cor totalmente nova com você por perto? O ar, as pessoas, o cheiro e o sabor das coisas, tudo me parece tão melhor. Como se eu tivesse passado a vida inteira com os olhos fechados, e só agora estivesse enxergando de verdade.
Ter você na minha casa, nas minhas coisas do dia-a-dia, ainda me parece irreal, como um sonho. Está difícil admitir que esteja acordada. Eu acho que meu consciente simplesmente não consegue aceitar que, aquele garoto que eu olhava de longe, meio tímida, e que por loucura do destino resolveu responder as minhas investidas sem graça, é agora a melhor parte da minha vida, de mim.
Você comentou hoje que nós somos a cara do casal que se casa com um ano de namoro. O engraçado é que eu realmente me sinto como se pudesse fugir com você agora, casar e ser feliz para todo sempre, como em um conto de fadas. Por sorte somos espertos demais para isso, hein? (eu disse sorte?) Por outro lado, ficar, namorar, casar e outras coisas mais, não passam de palavras. Eu acho que você sabe o que eu quero dizer.
Estar com você é um pouco como voar.
Acordei não acordando, como sempre. Confundi direitas com esquerdas e freios com aceleradores. Escutei canções de amor enquanto arrumava o quarto e cantei Doce Vampiro no chuveiro. Contei os segundos até você chegar, como naquela música "mas o relógio tá de mal comigo".
Então você chegou, com suas calças meio coladas e sapatos novos. É incrível como perco o ar cada vez que te vejo. Tipo um quentefrio e um pulinho sabe? Eu ganho o dia com o seu sorriso, e por isso me esforço para te fazer sorrir o tempo todo. Às vezes você não parece fazer idéia do efeito que causa em mim (o que é realmente uma gracinha).
Andamos apressados por um caminho que me pareceu ridiculamente menor do que o normal. Sabia que coisas banais ganham uma cor totalmente nova com você por perto? O ar, as pessoas, o cheiro e o sabor das coisas, tudo me parece tão melhor. Como se eu tivesse passado a vida inteira com os olhos fechados, e só agora estivesse enxergando de verdade.
Ter você na minha casa, nas minhas coisas do dia-a-dia, ainda me parece irreal, como um sonho. Está difícil admitir que esteja acordada. Eu acho que meu consciente simplesmente não consegue aceitar que, aquele garoto que eu olhava de longe, meio tímida, e que por loucura do destino resolveu responder as minhas investidas sem graça, é agora a melhor parte da minha vida, de mim.
Você comentou hoje que nós somos a cara do casal que se casa com um ano de namoro. O engraçado é que eu realmente me sinto como se pudesse fugir com você agora, casar e ser feliz para todo sempre, como em um conto de fadas. Por sorte somos espertos demais para isso, hein? (eu disse sorte?) Por outro lado, ficar, namorar, casar e outras coisas mais, não passam de palavras. Eu acho que você sabe o que eu quero dizer.
Estar com você é um pouco como voar.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Essa é a vigesima sétima vez que tento escrever algo suficientemente bom para você. Peço desculpas por não criar nada melhor elaborado, mas estou sendo vencida pelo cansaço e pela saudade excrucitante que sinto agora, e que não me deixa pensar em nada mais.
Eu estava escutando musicas melosas e claro, meio bregas, enquanto visualizava seu rosto em minha cabeça, o que me deixou bastante inspirada. Imaginei então que seria uma boa idéia tentar escrever algo que expressasse todo esse sentimento que vive dentro de mim agora, que me corroe por dentro e me faz querer chorar como um coelhinho. Pensei então que poderia falar dos seus olhos e olhar, e do jeito que eles parecem atravessar a minha alma. Ou quem sabe falaria do seu cheiro, e de como é frustrante quando imagino senti-lo pelas ruas, e procuro desesperadamente por você ao meu redor. Poderia também falar dos seus ombros, mãos, barriga, pernas e unhas dos pés, e de todas as outras partes que formam o seu corpo, que é o mais belo do mundo. Talvez falaria ainda da sua voz de canário, e de como toda a minha estrutura ameaça desabar quando sussura em meu ouvido. Ou quem sabe diria como meu coração dispara quando te escuto falar sobre seus sonhos e desejos, ou quando vejo o amor que você sente pelas pessoas e animais que são próximos a você. Ah, e ressaltaria ainda com mais capricho minha parte favorita entre todas, que é seu sorriso envergonhado quando tento te fazer rir.
Infelizmente, acho que talvez por serem maravilhas demais, todas essas coisas se misturam de tal forma que chega a ser impossível formar um texto decente sobre elas. Por isso, não tive outra escolha a não ser escrever de um jeito aleatório e insuficiente, com a falsa esperança de que isso mostre para você ao menos um terço de como me sinto agora.
Ainda bem que inventaram o bom e velho Eu te amo.
Eu estava escutando musicas melosas e claro, meio bregas, enquanto visualizava seu rosto em minha cabeça, o que me deixou bastante inspirada. Imaginei então que seria uma boa idéia tentar escrever algo que expressasse todo esse sentimento que vive dentro de mim agora, que me corroe por dentro e me faz querer chorar como um coelhinho. Pensei então que poderia falar dos seus olhos e olhar, e do jeito que eles parecem atravessar a minha alma. Ou quem sabe falaria do seu cheiro, e de como é frustrante quando imagino senti-lo pelas ruas, e procuro desesperadamente por você ao meu redor. Poderia também falar dos seus ombros, mãos, barriga, pernas e unhas dos pés, e de todas as outras partes que formam o seu corpo, que é o mais belo do mundo. Talvez falaria ainda da sua voz de canário, e de como toda a minha estrutura ameaça desabar quando sussura em meu ouvido. Ou quem sabe diria como meu coração dispara quando te escuto falar sobre seus sonhos e desejos, ou quando vejo o amor que você sente pelas pessoas e animais que são próximos a você. Ah, e ressaltaria ainda com mais capricho minha parte favorita entre todas, que é seu sorriso envergonhado quando tento te fazer rir.
Infelizmente, acho que talvez por serem maravilhas demais, todas essas coisas se misturam de tal forma que chega a ser impossível formar um texto decente sobre elas. Por isso, não tive outra escolha a não ser escrever de um jeito aleatório e insuficiente, com a falsa esperança de que isso mostre para você ao menos um terço de como me sinto agora.
Ainda bem que inventaram o bom e velho Eu te amo.
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Nada como estar apaixonada e brega
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Nada como estar apaixonada e brega
terça-feira, novembro 10, 2009
Eu gostaria de acreditar em Deus. Em salvação. Em luz. Justiça. Gostaria de acreditar em amor eterno, música e comédias românticas. Gostaria de agir sempre como bêbada, distribuir sorrisos sinceros e promover sonhos tranquilos. Gostaria de acreditar nas pessoas.Alguém conhece um jeito de se ficar mais idiota?
Por muito tempo minha vida foi resumida a expressões, e eu tenho lutado contra isso. Gostaria de ganhar dinheiro fazendo o que eu gosto, me casar, ter filhos, viajar, emagrecer, saber mais das coisas, tocar um instrumento musical, não estar tão quebrada de grana, poder dar (bons) presentes de natal para todo mundo que eu ache que mereça, comer mais salada, escrever melhor, controlar minha impulsividade e meu dom absurdo de dizer besteira, curar definitivamente minha mania de auto-sabotagem... enfim, a lista é grande.
Cheguei a achar, até pouco tempo atrás, que me entregar, amar alguém de verdade não me levaria a lugar algum, não iria me fazer mais querida, não faria ter alguém que me amasse. Faria sim, quem se apaixonasse, mas ninguém iria amar alguém com defeitos grotescos como os meus. Não que eu quisesse alguém que concordasse com minhas fraquezas, mas que me amasse mesmo assim. Que estivesse ao meu lado, não para me apoiar, mas para não me deixar cair mais ainda.
Cheguei a achar, até pouco tempo atrás, que me entregar, amar alguém de verdade não me levaria a lugar algum, não iria me fazer mais querida, não faria ter alguém que me amasse. Faria sim, quem se apaixonasse, mas ninguém iria amar alguém com defeitos grotescos como os meus. Não que eu quisesse alguém que concordasse com minhas fraquezas, mas que me amasse mesmo assim. Que estivesse ao meu lado, não para me apoiar, mas para não me deixar cair mais ainda.
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar...
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai...
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar"
segunda-feira, novembro 09, 2009
sexta-feira, novembro 06, 2009
Ainda não era meia noite e já estava insuportável. A música ruim, a bebida pior ainda e as pessoas, nem se fala. É claro que havia o mar, o único atrativo em festas como essa, mas não era o suficiente para me fazer ficar por mais de 25 segundos.
Já estava atrás dos meus sapatos e dignidade quando me deparei com ele. Não sei como não tinha-o notado a noite inteira. Definitivamente não se encaixava ali. Cabelos compridos demais, roupas escuras demais e aquela conhecida expressão de "acho todos idiotas". Igual a minha. Estava sozinho, provavelmente esperando alguém voltar com algum papinho de bêbado que começou a beber antes da festa, fitando o mar. Ocorreu-me que nossos pensamentos eram iguais e me aproximei. Tinha uma expressão impressionante. Cheguei sem bebidas e sem assuntos, só com aquele sorriso amarelo de quem não sabe o que dizer. Pareceu assustado com minha investida, mas me retribuiu com um sorriso igual. Deve ser o amor da minha vida, pensei. Nem lembro sobre o que conversamos, não que tenha importância. A festa era uma merda, as pessoas uma bosta maior ainda e a bebida não vou nem comentar. Mas o mar estava ali, de consolo, refletindo todo aquele inferno. E tinha você.
quarta-feira, novembro 04, 2009
Olha, eu sei o que eu sempre quis. Eu queria um amor que fosse tudo para mim e eu tudo para ele. Que me olhasse e entendesse o que eu sentia, quando estava triste ou feliz. Não precisaria ser lindo, rico, inteligente ou palhaço. Só precisava ser meu.
Eu entendo o desejo de posse. Querer algo só para você, guardar em uma caixa bonita e não deixar ninguém pegar. Eu também sou assim. É um sentimento egoísta, mas ao mesmo tempo é bonito, como poucos conseguem entender.
Para mim, o amor perfeito é aquele com quem eu possa conversar sobre qualquer coisa, desde filmes de sexo ao sentido da vida. Aquele que a gente possa ir até mesmo a uma exposição de talheres importados e se divertir como nunca. Que não ria ou me repreenda quando eu falar dos meus sentimentos e sonhos, que possa cantar comigo sem sentir vergonha. E que que esteja sempre aqui pra mim, pois eu vou sempre estar aqui pra ele também.
O que eu queria agora, era a inocência de um amor de verdade. O sorriso, a confiança. A cumplicidade. Era ter alguém que me quisesse por perto em uma roda de amigos, que soubesse me abraçar sem desejar nada a mais. Que me apoiasse, cuidasse de mim, como eu faria por ele. Alguém com que eu poderia passar horas jogando vídeo game sem cansar, ou explorar uma cidadezinha qualquer. Nada de tédio ou preguiça.
Só amor.
Eu entendo o desejo de posse. Querer algo só para você, guardar em uma caixa bonita e não deixar ninguém pegar. Eu também sou assim. É um sentimento egoísta, mas ao mesmo tempo é bonito, como poucos conseguem entender.
Para mim, o amor perfeito é aquele com quem eu possa conversar sobre qualquer coisa, desde filmes de sexo ao sentido da vida. Aquele que a gente possa ir até mesmo a uma exposição de talheres importados e se divertir como nunca. Que não ria ou me repreenda quando eu falar dos meus sentimentos e sonhos, que possa cantar comigo sem sentir vergonha. E que que esteja sempre aqui pra mim, pois eu vou sempre estar aqui pra ele também.
O que eu queria agora, era a inocência de um amor de verdade. O sorriso, a confiança. A cumplicidade. Era ter alguém que me quisesse por perto em uma roda de amigos, que soubesse me abraçar sem desejar nada a mais. Que me apoiasse, cuidasse de mim, como eu faria por ele. Alguém com que eu poderia passar horas jogando vídeo game sem cansar, ou explorar uma cidadezinha qualquer. Nada de tédio ou preguiça.
Só amor.
terça-feira, novembro 03, 2009
"Ela é meio bonita.
Você sabe de quem estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes. Ela é tímida, mas não a tímida “meiguinha”. Ela é arisca e bicho-do-mato mesmo, daquelas que gosta de fazer cu doce e fica com a voz 60% mais baixa quando sente-se intimidada.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Castanho furta-cor. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
O silêncio dela às vezes é irritante. Ela é imatura e finge que tem amnésia. Se faz de vítima, drama-queen de carteirinha. 80% dos desenhos dela são cópias ou releituras.
Em casos leves, você pensaria “ela é quase bonita”. Depois de um baseado você diria “ela tem um tipo bastante especial”. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, apressada demais.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Quando você partiu ela acordou todos aqueles dias, sentiu-se a garota mais sozinha do mundo, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar seu corpo.
As meninas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe desconfortável, contente, ou triste, ou puto da cara. Alguém que te dê trabalho.
Poderia ser essa menina, se ela não tão fissurada em suas próprias leituras.
Se ela deixasse de odiar as pessoas e achar que de fato é um dragão.
Se ela não fosse sensível demais e se emocionasse até com inauguração de supermercado.
Se ela fosse mais descolada.
Se ela fosse mais confiante.
E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, também, meio bonito.
Meio anacrônico. Meio antiquado. Meia estação."
Caio F, alterado.
Você sabe de quem estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela. Você não grava os nomes. Ela é tímida, mas não a tímida “meiguinha”. Ela é arisca e bicho-do-mato mesmo, daquelas que gosta de fazer cu doce e fica com a voz 60% mais baixa quando sente-se intimidada.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Castanho furta-cor. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
O silêncio dela às vezes é irritante. Ela é imatura e finge que tem amnésia. Se faz de vítima, drama-queen de carteirinha. 80% dos desenhos dela são cópias ou releituras.
Em casos leves, você pensaria “ela é quase bonita”. Depois de um baseado você diria “ela tem um tipo bastante especial”. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, apressada demais.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Quando você partiu ela acordou todos aqueles dias, sentiu-se a garota mais sozinha do mundo, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar seu corpo.
As meninas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe desconfortável, contente, ou triste, ou puto da cara. Alguém que te dê trabalho.
Poderia ser essa menina, se ela não tão fissurada em suas próprias leituras.
Se ela deixasse de odiar as pessoas e achar que de fato é um dragão.
Se ela não fosse sensível demais e se emocionasse até com inauguração de supermercado.
Se ela fosse mais descolada.
Se ela fosse mais confiante.
E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, também, meio bonito.
Meio anacrônico. Meio antiquado. Meia estação."
Caio F, alterado.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Blackbird
Você sabe por que o Peter Pan nunca cresce? Porque ele esquece das coisas. Assim, todo dia é como se fosse o primeiro, infinitamente grande, emocionante e novo, como são os da crianças. É mais ou menos assim que estou vivendo os meus dias agora; esquecendo os dias que passaram e partindo com toda a minha alma para o que acaba de começar. E assim, quem sabe, eu também nunca vá crescer.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
segunda-feira, outubro 19, 2009
Na noite fria, um cão uivava ao longe. Sentado na varanda, um garoto observava sem interesse os vaga lumes que dançavam sobre os velhos pneus cheios d'água. Já deviam ser por volta das duas da madrugada e ainda não recebera nenhum sinal. Pois sim, deveria haver um sinal. A velha cigana que encontrara na noite anterior havia lhe garantido, e ele esperaria a noite toda se fosse necessário. Ainda podia escutar sua voz arranhada, como um sussurro em sua cabeça. "A lua amarela no ultimo dia ímpar do ano. Não durma e não coma nada. Não deixe que o percebam. Fique atento e você verá.”
O tempo parecia caçoar dele. Há quantas horas estaria ali? Seus olhos já começavam a pesar e sua barriga rugia. Já não tinha mais idéias de musicas para cantarolar. Começara a pensar que aquilo era loucura quando a primeira luz do poste se apagou.
Não chegou a dar-lhe importância ao principio. Que a iluminação de sua rua era uma droga não era bem novidade, as luzes viviam a dar defeito. O que lhe chamou a atenção foram os vaga lumes. Desapareceram. Então, todas as luzes se apagaram e veio o silencio.
Foi então que ela apareceu. Em meio a névoa e a escuridão, lá estava. No começo não era mais do que um monte de fumaça sem forma, até que pode-se perceber cabelos e nariz, tronco e mãos. Os olhos não passavam de uma sombra, com a visão fora de foco, constantemente olhando para o nada. Um lamento soprava por sua boca.
Flutuava de um lado para o outro como se procurasse algo. O menino a observava com o coração disparado e olhos vidrados, mas não ousava se mexer. Mal se atrevia a respirar. Em seu peito, uma mistura de assombro e excitação lhe davam vontade de vomitar.
Não soube dizer se era bonita ou não. Talvez fosse, sem todo aquele ar fantasmagórico ao seu redor. Cachos lhe escorriam pelos ombros e um vestido sem estampas lhe cobria o corpo. Sua expressão era de obvia tristeza.
Talvez seus pensamentos estivessem muito altos, ou quem sabe respirava forte demais, mas enfim notara sua presença. Pareceu confusa e assustada por um momento, mas logo voltou a si e deu-lhe um grito de fúria intensa, como se a tivessem escaldado naquele momento. O grito penetrou em seus ouvidos como lâminas cortantes, retalhando tudo até o fundo da sua alma. A sensação era como se estivessem pisando em seu peito, transformando-lhe em pó. Então veio o frio e tudo ficou escuro.
Em algum lugar pela noite, um cão uivava ao longe.
O tempo parecia caçoar dele. Há quantas horas estaria ali? Seus olhos já começavam a pesar e sua barriga rugia. Já não tinha mais idéias de musicas para cantarolar. Começara a pensar que aquilo era loucura quando a primeira luz do poste se apagou.
Não chegou a dar-lhe importância ao principio. Que a iluminação de sua rua era uma droga não era bem novidade, as luzes viviam a dar defeito. O que lhe chamou a atenção foram os vaga lumes. Desapareceram. Então, todas as luzes se apagaram e veio o silencio.
Foi então que ela apareceu. Em meio a névoa e a escuridão, lá estava. No começo não era mais do que um monte de fumaça sem forma, até que pode-se perceber cabelos e nariz, tronco e mãos. Os olhos não passavam de uma sombra, com a visão fora de foco, constantemente olhando para o nada. Um lamento soprava por sua boca.
Flutuava de um lado para o outro como se procurasse algo. O menino a observava com o coração disparado e olhos vidrados, mas não ousava se mexer. Mal se atrevia a respirar. Em seu peito, uma mistura de assombro e excitação lhe davam vontade de vomitar.
Não soube dizer se era bonita ou não. Talvez fosse, sem todo aquele ar fantasmagórico ao seu redor. Cachos lhe escorriam pelos ombros e um vestido sem estampas lhe cobria o corpo. Sua expressão era de obvia tristeza.
Talvez seus pensamentos estivessem muito altos, ou quem sabe respirava forte demais, mas enfim notara sua presença. Pareceu confusa e assustada por um momento, mas logo voltou a si e deu-lhe um grito de fúria intensa, como se a tivessem escaldado naquele momento. O grito penetrou em seus ouvidos como lâminas cortantes, retalhando tudo até o fundo da sua alma. A sensação era como se estivessem pisando em seu peito, transformando-lhe em pó. Então veio o frio e tudo ficou escuro.
Em algum lugar pela noite, um cão uivava ao longe.
domingo, outubro 18, 2009
Me perguntam com freqüência o por que de ser vegetariana. Eu penso sobre isso e lembro de um dia, quando estava voltando do trabalho com minha mãe, quando passamos pelo matadouro da prefeitura. Eu ouvi o lamento de desespero, vi o sangue e senti o cheiro da morte. Aquilo me deu ânsias. Eu já simpatizava com o movimento vegetariano há anos, mas fui mais uma daquelas "deixa para amanhã, hoje tem bisteca no jantar."
Nunca mais comi carne depois daquele dia. Quando cheguei em casa, olhei para os meus animais e os abracei. Conheço teorias sobre como carne não faz bem, questões ecológicas, caninos não desenvolvidos e outras coisas, mas a verdade e que nada disso me importa.
Eu amo os animais. Amo mesmo, de verdade. Eu brigo e choro por eles como nunca brigaria ou choraria pela maioria das pessoas que conheço. É o amor que me faz ser vegetariana, nada mais.
"Se você fala com os animais eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. Se não falar com eles você não os conhecerá, e o que você não conhece você temerá. E aquilo que tememos, destruímos."
Nunca mais comi carne depois daquele dia. Quando cheguei em casa, olhei para os meus animais e os abracei. Conheço teorias sobre como carne não faz bem, questões ecológicas, caninos não desenvolvidos e outras coisas, mas a verdade e que nada disso me importa.
Eu amo os animais. Amo mesmo, de verdade. Eu brigo e choro por eles como nunca brigaria ou choraria pela maioria das pessoas que conheço. É o amor que me faz ser vegetariana, nada mais.
"Se você fala com os animais eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. Se não falar com eles você não os conhecerá, e o que você não conhece você temerá. E aquilo que tememos, destruímos."
sábado, outubro 17, 2009

Para minha vista, somente o Nada. Caminhei por entre aquela escuridão, com as mãos erguidas e passos cautelosos. Em meio ao desespero, pensei que gostava do som ritmado dos meus sapatos no concreto. Um dia ou um minuto depois, resolvi fechar os olhos. Não houve diferença alguma.
Já cansada daquele macabro passeio sem fim, resolvi descansar. O silêncio que se fez causou me arrepios na nuca. Olhei em frente, sem saber ao certo se estava indo ou voltando. Aquilo parecia não ter fim. Onde estava minha esperada luz no fim do túnel?
Tentei lembrar me como havia chegado àquele ponto. Vasculhei minha mente, mas estava tão oca quanto meu coração. Não tinha recordação alguma de onde vinha, ou quem eu era. Nenhum nome ou rosto. Vazio.
Com um suspiro, voltei a minha jornada. Em uma certa hora, já não sabia mais se estava sonhando ou acordada. O desespero começou atingir me e senti me sufocada. As paredes, se é que haviam paredes, pareceram resolver encolher. Caí de joelhos e desatei a chorar. Não tinha mais forças.
Então a vi; Era radiante. Deu um doce sorriso e fez sinal para que a acompanhasse. Não hesitei. Mesmo incapaz de recordar minha vida, estava certa de que jamais fora tão feliz como naquele instante. Corri descontroladamente, tropeçando em meus próprios pés. E então uma Luz calorosa envolveu me e esse foi o Fim. Eu estava morta. E era maravilhoso.
Um
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